Documento técnico · Metodologia e validação
EmerControl Fogo — Simulador de propagação de incêndios rurais
Simulação da progressão provável de incêndios rurais com o modelo de referência de Rothermel, alimentada por dados reais de Portugal. Documento de referência para uso operacional e escrutínio científico: descreve o que a ferramenta faz, como se aplica no terreno, o modelo subjacente e as linhas de validação — as duas primeiras recalculadas em tempo real ao carregar a página.
Resumo
O EmerControl Fogo simula a progressão provável de incêndios rurais com o modelo de referência internacional de Rothermel, alimentado por dados reais de relevo, combustível e meteorologia de Portugal. Responde, de forma visual e transparente, a «para onde e a que ritmo pode ir o fogo», e relaciona essa progressão com povoações, vias e o ambiente. É uma ferramenta de apoio ao planeamento, prevenção, formação e consciência situacional — não uma previsão determinística única. O seu valor está na gama plausível de evolução e na incerteza que comunica, não numa linha exata.
A fiabilidade assenta em quatro linhas de validação independentes, todas reproduzíveis. As duas primeiras são calculadas ao vivo nesta página (não são afirmadas); a terceira é o back-test contra incêndios reais do ICNF; a quarta, exploratória, confronta a chegada da frente no tempo com satélite geostacionário.
Como se usa no terreno operacional
O procedimento é breve: marcar o foco, confirmar o ambiente e ler a projeção. A aplicação carrega automaticamente o relevo, o combustível, a meteorologia e a rede viária da zona. Todos os produtos de decisão derivam do mesmo motor.
1 · Ignição e combustível
- A coordenada de ignição confirmada tem precedência: se cair sobre estrada, água ou edificado, a chama não é deslocada — mantém-se na posição marcada.
- Se não houver vegetação cartografada à volta do foco, a aplicação assinala de forma destacada que o fogo não irá alastrar e oferece duas alternativas: um botão «assumir vegetação no foco» (adota a vegetação cartografada mais próxima) ou a correção manual do combustível por setor (escolher o tipo e o raio, e aplicar). Nunca inventa vegetação sozinha.
- Hora de início e reconstrução: um incêndio raramente é comunicado no instante em que começa. Se a hora de início for recuada, o motor reconstrói o fogo desde essa hora até agora — passo a passo, com a meteorologia real de cada instante (a série horária inclui as horas passadas), não com as condições atuais aplicadas ao passado. O operador vê primeiro onde o fogo estará agora e valida-o contra o que é reportado do terreno, antes de confiar na projeção para a frente; a linha temporal marca o «agora» e distingue «reconstruído» de «projeção +X min». O recuo está limitado a 6 h por desempenho. Com a hora em «agora», não há reconstrução: o cenário fica parado até iniciar.
2 · Ambiente e barreiras
- O vento regional (IPMA + Open-Meteo) é a referência; um modelo diagnóstico redistribui-o sobre o relevo (acelera em cristas, abranda a sotavento, canaliza em vales).
- A rede viária, água e aceiros carregam por defeito como barreiras — não é preciso ligar nenhuma camada. E travam conforme a intensidade da frente: um caminho segura um fogo fraco (noite/húmido) e é atravessado por um fogo violento — tal como na realidade.
3 · Ler a projeção
- Cabeça e velocidade média medem a frente de superfície — não são infladas pelos saltos de fogo. A projeção de faúlhas (spotting) é reportada à parte (alcance + nº de focos), para não confundir o salto de uma faúlha com a velocidade da frente.
- Setores (cabeça, flancos, retaguarda), projeção temporal (isócronas + previsão a +15, +30, +45, +60, +90, +120 e +180 min) e envelope de probabilidade (15 cenários a 90 min, com vento e humidade perturbados) dão a leitura direcional, temporal e de incerteza.
- Pontos monitorizados (ETA): o operador marca no mapa os locais que lhe interessam — uma aldeia, um lar, um ponto de água, uma posição de meios. Cada ponto recebe a janela provável de chegada (ex.: «12–22 min»), o tempo central previsto, um pior caso (agravado quando o vento é forte), a distância à frente e um nível de confiança. O painel de prioridades ordena-os por urgência, não por ordem de marcação. A janela é assimétrica: abre mais para o lado cedo — ver incerteza.
- Aviso de terreno propenso a fogo eruptivo: em desfiladeiros e encostas longas e inclinadas, o fogo pode acelerar subitamente por convecção própria («efeito de chaminé»), atingindo velocidades muito acima do que qualquer modelo de propagação estacionário projeta. Este simulador não reproduz esse regime — nenhum modelo do tipo Rothermel o faz. O que a aplicação faz é assinalá-lo: avalia no relevo, à cabeça do fogo e no corredor à frente dela, o declive, o confinamento lateral do vale e a extensão de encosta a montante, e emite um aviso de segurança quando a geometria é propícia. O aviso não altera a projeção: serve para dizer ao operador que, ali, a projeção é um limite inferior e que não se deve posicionar meios acima do fogo na encosta nem em cumeada sobre ela. O aviso foi ensaiado sobre um acidente documentado (Famalicão da Serra, 9 de julho de 2006, seis vítimas mortais): na configuração inicial, que varria apenas o corredor à frente da cabeça, o aviso nunca teria disparado, porque a ravina onde o fogo veio a erupcionar ficava fora desse corredor; corrigida a amostragem para varrer a vizinhança em todas as direções, o aviso passa a levantar-se cinco minutos após a ignição e a assinalar repetidamente o quadrante onde o acidente viria a ocorrer. Não é uma previsão de que o fogo vai erupcionar — é a constatação, verificável no relevo, de que aquela geometria produz erupções.
- Análise operacional automática: a partir da cartografia carregada, o motor de decisão identifica povoações, vias e pontos críticos dentro do setor de ameaça, ordena-os por risco e emite avisos explicáveis (cada um com severidade, categoria e motivo — vento extremo, humidade crítica, povoação ameaçada, via afetada). São avisos de triagem técnica, para dirigir a atenção; não são ordens nem substituem o reconhecimento no terreno.
4 · Correções e supressão
- Frente observada: quando há observação credível (equipa, COS, drone, visual, rádio), desenha-se a frente real e o motor continua a partir dela. Um ciclo de assimilação fechado ajusta continuamente a correção de vento/taxa a cada observação sucessiva.
- Linha de defesa: para reproduzir a supressão (o que os bombeiros seguraram), traça-se a linha nos flancos; só entra no motor depois de confirmada como preparada.
- Saúde das fontes: um painel mostra o estado e a frescura de cada fonte (rede, meteorologia, IPMA, terreno, combustível, seca) com tiers verde/âmbar/vermelho.
5 · Incêndio já a decorrer
- Buscar incêndios ativos: os focos de calor NASA FIRMS (VIIRS 375 m SNPP + NOAA-20, e MODIS) da área visível no mapa são agrupados em incêndios distintos por ligação simples, e o contorno de cada grupo — cada foco dilatado pelo tamanho do seu píxel — passa a perímetro de partida. Entram só os agrupamentos com deteção de satélite de menos de 24 h: com mais idade é rescaldo ou fogo dominado, e carregá-lo daria uma mancha que já não corresponde ao terreno. A chave da API fica no servidor (proxy PHP); nunca chega ao navegador.
- Carregar perímetro: em alternativa, importa-se um GeoJSON/KML (ou cola-se o texto). O interior fica ardido e todo o bordo fica ativo.
- Apagar flancos: a borracha arrasta-se sobre os troços já dominados, que ficam extintos e deixam de propagar. Fica ativo só o que ainda arde — tipicamente a cabeça — e a projeção parte daí.
- Resolução adaptativa: o domínio dimensiona-se à extensão do perímetro, entre 12,5 m e 60 m por célula. Um incêndio de dezenas de milhares de hectares passa a caber, ao preço de menos detalhe fino (ravinas, cortes estreitos) — e de um viés de discretização documentado em limites.
6 · Registo e auditoria
- Exportação do cenário: em qualquer momento, o cenário sai em relatório HTML (para anexar a um registo de ocorrência) e em JSON (para reanálise). Ambos levam o mesmo conteúdo: estado da simulação, meteorologia usada, contexto da ignição, avisos gerados, pontos ETA monitorizados, frente observada, linha de defesa, setores de combustível corrigidos, camadas visíveis e o registo cronológico de eventos. É o que permite dizer, mais tarde, com que dados e que pressupostos aquela leitura foi produzida — e refazê-la.
- Pontos críticos da entidade: pode importar-se um GeoJSON de pontos próprios (pontos de água, lares, escolas, infraestruturas sensíveis). Ficam identificados como Dados locais, distintos do que vem do OpenStreetMap, e entram na priorização automática. O ficheiro não é enviado para lado nenhum: fica guardado apenas neste navegador e pode ser removido a qualquer momento. Não há sincronização entre postos, controlo de versões nem trilho de auditoria central — a atualização e a qualidade do inventário são responsabilidade da entidade.
A leitura é sempre indicativa: se vento local, combustível, barreiras, projeções de faúlhas ou contenção real diferirem do cenário introduzido, o resultado deve ser revisto no terreno.
O modelo físico científico
- Rothermel (1972) para a velocidade de propagação superficial — o modelo-padrão usado internacionalmente (BEHAVE, BehavePlus, FARSITE) — com a extensão de duas categorias de combustível (morto + vivo) de Albini (1976): a humidade de extinção do combustível vivo é dinâmica, pelo que o modelo distingue mato verde de primavera de mato curado de verão.
- Vento e declive combinados vetorialmente (método BehavePlus/FARSITE) e distribuição elíptica de Anderson (1983) para a forma da frente (cabeça, flancos, retaguarda).
- Humidade do combustível fino morto por Fosberg & Deeming (1971) a partir da temperatura e humidade relativa, com atraso de resposta (Nelson) por combinação das classes de tempo 1 h e 10 h, correção conservadora pela precipitação recente e pela seca acumulada (KBDI).
- Campo de vento diagnóstico (tipo WindNinja simplificado, mass-consistent): o vento regional é redistribuído sobre o DEM com aceleração em cristas, abrandamento a sotavento e canalização em vales.
- Fogo de copas explícito por iniciação de limiar de Van Wagner (1977) (intensidade de superfície vs. altura da base da copa e humidade foliar), com fração de copa queimada contínua e modos passivo/ativo, parametrizado por espécie (pinhal, eucaliptal).
- Barreiras dependentes da intensidade: uma estrada/caminho/aceiro trava conforme o comprimento de chama de Byram da frente vs. a largura do corte — a chama+radiação (esticada pelo vento) transpõe cortes estreitos numa frente forte, mas não numa frente fraca. Os saltos de faúlha são o mecanismo que atravessa cortes largos numa frente intensa.
- Projeção de faúlhas do tipo Albini (1979/1983), ancorada na mesma intensidade de linha de Byram. A distância deixou de ser uma fórmula de rajada e passou a ser a consequência de uma cadeia de quatro elos: (1) produção — faúlhas geradas por metro de frente em chama, proporcional à intensidade e ao material da espécie; (2) elevação — a coluna convectiva de uma frente linear inclinada pelo vento tem velocidade vertical w₀ = √(g·I/(ρ·cp·T) / U), e a faúlha só sobe se a coluna vencer a sua velocidade de queda; (3) transporte e sobrevivência — cai à velocidade terminal enquanto o vento em altitude a arrasta, e só conta a que ainda arde à chegada; (4) ignição — probabilidade função da humidade do fino morto no ponto de queda e da recetividade da espécie recetora. A casca em fitas do eucalipto é o gerador de longo alcance: cai devagar e arde muito mais tempo que a folhada do pinhal.
- Autómato celular determinístico com célula de 12,5 m (domínio de 6,3 km de lado, que cresce automaticamente com a frente): o mesmo resultado para as mesmas entradas. No modo incêndio já a decorrer a célula adapta-se à extensão do perímetro carregado, até 60 m. Não confundir com a resolução do relevo (DEM ~30 m) nem com a do combustível (Sentinel-2, 10 m).
Dados reais e proveniência
Camadas de entrada, fonte, resolução e comportamento de reserva.
| Camada | Fonte | Resolução | Reserva se falhar |
|---|---|---|---|
| Relevo (DEM) | AWS Terrain Tiles (terrarium, SRTM/Copernicus) | ~30 m | Copernicus GLO-90; estimativa local |
| Combustível | Ocupação do solo Sentinel-2 (Esri/Impact Observatory) + OpenStreetMap | 10 m | Estimativa determinística |
| Meteorologia (tempo real) | Observação IPMA + previsão horária Open-Meteo, ancorada na observação | Estação / horária | Introdução manual |
| Meteorologia (histórico) | ERA5 (Open-Meteo Archive) | ~25 km / horária | — |
| Índice de seca (KBDI) | Precipitação acumulada ERA5 | Diária | Sem correção de seca (mantém humidade meteorológica) |
| Perímetros oficiais de áreas ardidas | ICNF/SGIF WFS — áreas ardidas | Vetorial | Só entra no back-test com geometria e datas válidas |
| Deteção de fogo ativo (satélite) | NASA FIRMS (VIIRS 375 m + MODIS 1 km) · MSG SEVIRI FRP 15 min (LSA SAF/IPMA) | 375 m–3 km | Validação temporal e — no modo incêndio já a decorrer — perímetro de partida declarado como satélite, nunca como observação de campo |
| Vias, água, aceiros, povoações, pontos críticos | OpenStreetMap via Overpass | Vetorial | Sem barreiras/contexto (não são inventados) |
| Pontos críticos da entidade | GeoJSON (Point/MultiPoint) importado pelo utilizador; guardado só neste navegador | Vetorial/pontual | Identificados como Dados locais, distintos do OSM; sem sincronização entre postos nem auditoria central |
| Frente observada (modo ao vivo) | Operador, equipa no terreno, COS, drone, visual ou rádio | Vetorial/manual | Opcional; só deve ser assimilada quando a observação é confiável |
Condição meteorológica inicial: quando existe observação IPMA válida, ela é mantida como estado de arranque. A previsão horária Open-Meteo é usada para a evolução futura e entra gradualmente nos primeiros 15 minutos simulados, evitando um salto artificial no início. A observação IPMA é reconsultada a cada 10 min reais e a previsão a cada 15 min reais; em falha temporária, conserva-se o último valor válido. A humidade é limitada ao intervalo operacional de 5 % a 100 %.
Dados vivos nunca são servidos em silêncio a partir da cache: a meteorologia, a observação IPMA e os focos de satélite vão sempre à rede primeiro; a cópia guardada só é usada quando a rede falha, e nesse caso a aplicação identifica-a como tal — o painel de saúde deixa de estar verde e passa a indicar a idade do dado guardado. O pacote offline continua a servir de imediato o que não muda com o tempo (aplicação, mapa base, relevo, ocupação do solo), que é o que permite abrir e operar sem rede.
Origem observada: a coordenada de ignição confirmada tem precedência sobre a classificação automática local. A inferência de combustível adjacente fica limitada à célula inicial e é registada no contexto operacional. Cada resultado indica a sua proveniência; quando um serviço falha, a aplicação degrada de forma controlada e marca explicitamente os dados como estimados — nunca apresenta dados inventados como oficiais.
Validação — quatro linhas independentes científico
Linha 1 · A implementação reproduz o modelo canónico ao vivo
O motor de produção (simplificação de duas classes) é comparado com uma reimplementação independente e
completa do modelo de Rothermel/Albini com classes de dimensão explícitas — o mesmo modelo que o
BehavePlus resolve. Para combustível de classe única, as duas resolvem as mesmas equações e devem coincidir a menos
de erro numérico. Resultado (calculado ao vivo, … combinações de S/V, carga, profundidade,
humidade, vento e declive): desvio máximo …. As equações do núcleo (intensidade
de reação, fluxo propagante, fatores de vento e declive, dissipador de calor) estão corretamente implementadas.
Reproduzível em dev/benchmark.html.
A simplificação de duas classes aplica-se aos combustíveis finos (erva, mato — o que domina o incêndio rural português), com desvio mediano de ~20 % face ao modelo completo; cargas mortas pesadas e mistas (cortes/slash, floresta densa) estão fora do âmbito e não representam a vegetação portuguesa.
Linha 2 · A resposta é fisicamente correta em toda a gama ao vivo
A velocidade foi varrida ao longo de todo o intervalo operacional de cada fator e comparada com o modelo de referência. Resultado (calculado ao vivo): desvio máximo …. O comportamento confirma o esperado de Rothermel:
- Vento: crescimento forte e monótono (fator dominante), sem descontinuidades.
- Declive: aceleração segundo tan²(declive).
- Humidade morta: decresce e anula-se exatamente na humidade de extinção.
- Humidade viva: mato verde de primavera propaga menos que mato curado de verão.
Reproduzível em dev/sensibilidade.html.
Linha 3 · Fidelidade a incêndios reais (back-testing ICNF)
O motor foi corrido contra 50 incêndios reais ICNF executáveis, com perímetro oficial, meteorologia horária arquivada, DEM real, combustível real/estimado e comparação por índice de Jaccard. Destes, 8 têm validação forte (ponto e hora de ignição conhecidos ou robustos) e 42 são calibração estimada (ignição inferida por método reproduzível). O baseline global apresenta 38,4 % de Jaccard mediano e 36,5 % de média; a validação forte é lida em separado, para não confundir evidência independente com calibração operacional.
Valores de 16 de agosto de 2026, primeira medição em que o back-test exercita a projeção de faúlhas (ver a nota de método em âmbito de aplicação). Corrida completa: 50 de 50 casos, nenhuma falha. Face à medição anterior a projeção mexeu 32 dos 48 casos comparáveis — 17 melhores, 15 piores — com o agregado praticamente inalterado e a validação forte a melhorar (mediana 20,5 % → 21,1 %, média 19,8 % → 20,2 %). O maior recuo isolado foi Almodôvar (57,8 % → 51,8 %), um caso já diagnosticado como sobrepropagação: mais projeção espalha mais, e a precisão cai.
Índice de Jaccard (sobreposição da mancha simulada com o perímetro oficial) por conjunto de casos.
| Conjunto | Casos | Jaccard mediano | Média | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| Validação forte | 8 | 21,1 % | 20,2 % | Ponto/hora de ignição conhecidos; leitura independente mais exigente. |
| Calibração estimada | 42 | 41,4 % | 39,6 % | Ignição inferida por método reproduzível; para calibração, não para validar sozinho. |
| Baseline 50 | 50 | 38,4 % | 36,5 % | 8 validação forte + 42 calibração estimada. |
| Janela próxima do final | 18 | 42,8 % | 42,8 % | Quando a simulação cobre quase todo o período oficial (comparação mais justa). |
| Primeira fase vs perímetro final | 24 | 33,2 % | 30,6 % | Comparação conservadora; penaliza eventos longos com combate e reacendimentos. |
O modelo reproduz melhor fogos moderados e bem delimitados, e subestima grandes eventos de vento extremo,
convectivos, longos de vários dias, e ocorrências onde a contenção real alterou a mancha final. Um Jaccard de
0,15–0,5 é comum em modelos operacionais sem assimilação de dados. Reproduzível por linha de
comandos com tools/backtest-perimetro.mjs (combustível estimado) ou, com a carta Sentinel-2 real, na
ferramenta interna dev/backtest.html — a pasta dev/ é de validação e está protegida por
password no servidor, pelo que não é uma ligação pública.
Estes números foram re-medidos nos 50 casos com o motor atual (humidade do combustível morto com atraso 1h/10h e fogo de copas explícito de Van Wagner). As barreiras viárias ficam inativas no back-test (corre sem contexto operacional), pelo que só a física de propagação é avaliada. Um diagnóstico antes/depois no mesmo código confirmou que as duas melhorias de física são ligeiramente positivas também no combustível real Sentinel-2.
Física vs supressão — a janela de comparação justa
O perímetro oficial é o resultado final, moldado pelo combate (o fogo foi contido). O back-test corre sem supressão, por isso, com tempo, ultrapassa o que os bombeiros seguraram — e o Jaccard face ao perímetro final passa a penalizar a física por algo que é supressão. Um diagnóstico dedicado confirmou-o: dado tempo, o modelo cobre o fogo real e depois sobre-alastra (ex.: Oleiros atinge recall 85 % na janela de melhor sobreposição, e só depois cresce para lá do perímetro contido).
Por isso o back-test reporta agora duas leituras: a janela justa — a melhor sobreposição no tempo, que mede a fidelidade da física — e o fim do horizonte, que inclui a divergência por supressão. A física reproduz os fogos melhor do que o número final sugeria; a diferença entre as duas leituras é, em boa parte, o combate real que o modelo, por desenho, não simula.
Não é a física a alastrar devagar
Ao contrário do que um Jaccard final baixo sugere, o modelo não sub-propaga por ser lento — dado tempo, chega a cobrir e a ultrapassar o perímetro real. Aumentar a velocidade de propagação pioraria. O que falta é modelar a contenção e casar a janela de comparação com a duração de crescimento ativo de cada fogo — não acelerar a física.
Linha 4 · Chegada da frente no tempo — satélite geostacionário exploratória
As três primeiras linhas validam a forma (mancha) e a física. Esta quarta ataca o tempo: quando é que a frente chega a cada sítio? Comparámos a hora simulada de chegada com a hora a que o satélite geostacionário MSG SEVIRI (produto FRP-PIXEL do LSA SAF/IPMA, 3 km, uma passagem a cada 15 minutos) viu fogo pela primeira vez em cada local, nos 7 fogos de validação forte que o satélite consegue observar. Ao contrário dos satélites polares (VIIRS/MODIS, revisita de horas), o geostacionário cobre a janela ativa da tarde e da noite.
O que se conseguiu, e o que não se conseguiu
A cadência da verdade-terreno passou de ~51 min (VIIRS) para ~18 min — o teto de revisita do satélite foi quebrado. Mas o erro temporal não é calibrável de forma fiável: o modelo sub-propaga estes fogos fortes no espaço (Jaccard baixo), pelo que apenas 24 de 150 locais ficam comparáveis, e o píxel de 3 km do satélite «vê» o fogo cedo, inflando a aparente lentidão do modelo. Onde há comparação suficiente, o modelo tende a ser otimista — a frente real chega mais cedo do que o previsto.
«Sub-propaga» aqui e «ultrapassa o fogo real» na Linha 3 — porque não é contradição
As duas leituras medem momentos diferentes. A Linha 4 compara em instantes emparelhados: à hora a que o satélite viu fogo num local, a frente simulada ainda lá não chegou — o modelo está atrasado no espaço durante a janela observada. A Linha 3 mede o estado final sem supressão: deixado a correr, o modelo acaba por cobrir e depois exceder o perímetro que o combate conteve.
Ambas são verdade e é isso que torna o problema interessante: acelerar a física corrigiria uma e estragaria a outra. O que falta não é velocidade de propagação — é modelar a contenção e emparelhar a janela de comparação com a duração de crescimento ativo de cada fogo. Note-se ainda que o viés de discretização empurra no mesmo sentido do atraso: na resolução operacional (12,5 m) o motor é mais lento do que naquela em que foi calibrado (≥50 m).
Leitura honesta. Não há um fator de correção temporal a extrair — a limitação de fundo que esta
linha revela é a sub-propagação espacial dos grandes fogos, não a calibração do relógio. O sinal útil é
apenas uma direção (o modelo é otimista), que se traduz numa margem de segurança na ETA (ver
secção 6), nunca numa magnitude inventada. Limitação: o SEVIRI é cego aos fogos
piroconvectivos mais extremos (ex.: Pedrógão 2017) — a própria pluma é mascarada como nuvem. Reproduzível com
tools/fetch-seviri.mjs → tools/ingest-seviri.mjs →
tools/backtest-eta-temporal.mjs --candidates.
Fatores considerados pelo simulador
O modelo não usa um único indicador de risco. A simulação combina ~20 fatores principais, agrupados em seis famílias técnicas. Alguns são variáveis físicas diretas; outros são camadas de contexto ou mecanismos de validação usados para enquadrar o resultado.
Famílias de fatores, forma de entrada no cálculo e limitação principal de cada uma.
| Família técnica | Fatores considerados | Como entram no cálculo | Limitação principal |
|---|---|---|---|
| Ignição e tempo | Ponto de ignição; hora de início; duração simulada; passo temporal | Define origem, janela meteorológica e evolução célula a célula. | Em alguns back-tests a ignição é estimada, não oficial. |
| Meteorologia e vento local | Temperatura; humidade; velocidade e direção do vento; campo de vento diagnóstico | Determina humidade fina, direção dominante e aceleração da frente; o vento regional é redistribuído pelo relevo. | Modelo diagnóstico estático (não resolve convecção nem downbursts). |
| Terreno e relevo | Altitude; declive; orientação da encosta | Combina declive e vento vetorialmente e ajusta a propagação por encosta/vale. | DEM ~30 m pode suavizar ravinas e pequenas barreiras. |
| Combustível | Tipo; carga; profundidade; relação S/V; humidade viva e morta; continuidade; seca acumulada | Alimenta Rothermel/Albini e decide se a célula arde, abranda ou trava. | Classificação automática Sentinel-2/OSM pode falhar localmente. |
| Propagação e obstáculos | Rothermel; forma elíptica; barreiras dependentes da intensidade; projeção de faúlhas por coluna convectiva (Albini); fogo de copas (Van Wagner) | Calcula velocidade por direção, frente ativa, travagens por comprimento de chama e alcance dos saltos de faúlha a partir da intensidade da frente. | A projeção é estocástica: o alcance é plausível, a posição de cada foco não é previsível. Convecção extrema fora de âmbito. |
| Validação e incerteza | Back-test ICNF; validação temporal SEVIRI; resolução da grelha; domínio; envelope probabilístico; frente observada; saúde das fontes | Enquadra a comparação com o ICNF, a incerteza de cenário e a leitura operacional. | Combate dinâmico, reacendimentos e decisões humanas não são previstos no modo ao vivo. |
O perfil de calibração está fixo em Operacional (a física validada); a margem de incerteza fica a cargo do envelope de probabilidade, e não de um multiplicador manual. A classificação de combustível é automática por defeito; a correção manual existe apenas ao nível do setor, para o operador acertar o que vê no terreno.
Como a incerteza é comunicada
- Envelope de probabilidade (ensemble): corre vários cenários com o vento e a humidade perturbados e mostra a probabilidade de o fogo chegar a cada ponto (bandas ≥80 % / ≥50 % / ≥20 % / <20 %). É o produto a usar para decisões — não a mancha determinística única.
- Margem de segurança na ETA (assimétrica): o intervalo provável abre mais para o lado cedo do que para o lado tarde, porque duas fontes independentes apontam no mesmo sentido — a frente real chega antes do previsto. Primeira, a validação temporal por satélite (linha 4): o modelo é otimista. Segunda, o viés de discretização: a app opera a 12,5 m/célula e o motor foi calibrado a ≥50 m, onde é mais rápido — medido em 23 casos, a app dá o ETA cerca de 9 % mais tarde (mediana), até 38 % no pior caso. Verificou-se que o lado cedo da janela cobre esse desvio em todos os casos medidos, em parte porque o índice de confiança já alarga a janela quando o vento é forte, que é onde o desvio é maior. O tempo central previsto não muda (mantém-se coerente com a isócrona amarela); só a margem é assimétrica. É uma direção de segurança, não uma correção calibrada.
- Índice de confiança: baixa quando o combustível/relevo são estimados ou o vento é extremo, e avisa quando o cenário não deve ser usado para posicionar meios.
- Aviso de não-propagação: quando o fogo não arranca, a aplicação diagnostica porquê e separa o que o operador tem de corrigir (foco sobre terreno não-combustível → mover ou assumir vegetação) do que é física correta (humidade acima da extinção, ou propagação muito lenta em ar húmido/vento fraco).
- Saúde das fontes: estado e frescura de cada fonte de dados, para o operador saber com que qualidade está a decidir.
Como ler o «tempo previsto»
O número central é a hora que a frente simulada prevê — coerente com a linha amarela no mapa. Trata o lado cedo do intervalo provável como o valor de planeamento: a evidência de satélite indica que a frente real tende a chegar antes do previsto, não depois.
Âmbito de aplicação
Como qualquer modelo de propagação de superfície, o EmerControl Fogo tem um domínio bem definido. Ser transparente sobre ele é o que o torna fiável.
Onde é forte
- Fogos de superfície em combustível fino — erva, mato, pinhal/eucaliptal com sub-bosque, o que domina o incêndio rural português.
- Condições moderadas a severas de vento, temperatura e humidade.
- Leitura da direção e ritmo prováveis, setores, isócronas e envelope de incerteza.
- Planeamento, prevenção, formação e preparação de exercícios.
Onde tem limites
- Comportamento eruptivo (limite estrutural, não afinável): em desfiladeiros e encostas de forte declive o fogo pode entrar num regime dinâmico em que a velocidade cresce ao longo do tempo por convecção induzida pelo próprio fogo, podendo atingir cerca de cem vezes — e em casos documentados muito mais — a velocidade básica de propagação, sem qualquer alteração externa de vento (Viegas). Um modelo do tipo Rothermel dá a velocidade de uma frente em regime estabelecido e, por construção, não representa este regime: nesses locais a projeção deve ser lida como limite inferior. Como a ocorrência depende sobretudo da configuração do terreno, e pouco da meteorologia, a aplicação avalia essa geometria no relevo e emite um aviso (ver como se usa) — não corrige a velocidade, que seria inventar física não validada.
- Vento extremo: rajadas e downbursts locais estão abaixo da resolução da meteorologia (~25 km) — o modelo tende a subestimar, e a aplicação sinaliza esse risco.
- Perímetros contidos por combate: os perímetros oficiais são moldados por supressão, que o back-test não simula. Sem contenção, correr muito tempo faz o modelo ultrapassar o fogo real — por isso a fidelidade da física lê-se na janela justa (Linha 3), não no perímetro final.
- Viés de discretização (medido em 12-08-2026): o autómato celular não é exatamente invariante à resolução. Com a mesma física, meteorologia e combustível, e mudando só o tamanho da célula, um matos com vento de 20 km/h a 90 min dá 339 ha a 12,5 m, 356 ha a 25 m (+5 %) e 395 ha a 50 m (+17 %); um fogo fraco inverte o sinal (−10 % a 50 m). Célula grossa acelera o fogo conduzido pelo vento e trava o fogo fraco. Isto importa porque o back-test corre a ≥50 m por célula (os perímetros oficiais são grandes) enquanto a aplicação opera a 12,5 m: re-correndo os mesmos quatro casos fortes em resolução mais fina, o Jaccard desce em todos, sobretudo por recall — Aljezur 64,5 % (70 m) → 61,2 % (25 m), Ourém 19,8 % → 17,6 %, Moncorvo 7,7 % → 6,7 %, Vimioso 2,2 % → 2,2 %. Ou seja, na resolução operacional o modelo é mais lento do que na resolução em que foi calibrado, e o ETA tende para tarde — mais uma razão para planear pelo lado mais cedo da janela. Três testes de sanidade fixam o desvio medido como teto, para não se agravar sem se dar por isso.
- Projeção de faúlhas — estocástica por natureza (revista em 15-08-2026): a distância
passou a sair de uma cadeia física fechada (intensidade → coluna convectiva → voo → ignição no leito
recetor) em vez de uma fórmula de rajada. Isso corrigiu o defeito que a motivou — uma frente lenta
(cabeça <0,5 km/h) chegava a atirar faúlhas a mais de 1 km porque a intensidade do fogo não
entrava no cálculo da distância; agora não projeta de todo, porque não tem coluna que sustente a faúlha.
Mantém-se, porém, um limite de fundo: o número e a posição de cada foco secundário são um
sorteio, não uma previsão. Ler o alcance como até onde é plausível, nunca como
onde vai cair. Os parâmetros da faúlha por espécie (velocidade de queda, tempo de extinção) são
valores típicos da literatura, não medidos para combustíveis portugueses — é a lacuna de
calibração mais evidente deste bloco. Fora de âmbito: projeção por árvore isolada em torchamento e o
efeito do relevo no ponto de queda.
Nota de método: até 15-08-2026 o back-test não pedia a rajada ao arquivo meteorológico, pelo que corria com rajada = vento sustentado e o limiar de projeção só era atingido em 6 dos 50 casos — validava-se um motor sem projeção enquanto a aplicação corria com ela. Corrigido: o arquivo passou a fornecer a rajada tal como a previsão já fornecia, e 5 dos 8 casos fortes passaram a gerar focos secundários. Nos restantes (Pedrógão Grande, Vila de Rei, Chaves) o modelo continua a não projetar — não por falta de vento, mas porque com o vento regional arquivado a frente modelada é lenta (0,4–0,7 km/h) e não levanta coluna. É o mesmo limite de vento extremo listado acima, a manifestar-se noutro mecanismo. - Combustível automático pode errar localmente; a humidade é estimada, não medida.
- Contenção dinâmica por meios de combate não é inferida automaticamente; uma linha de defesa só é descontada depois de confirmada como preparada no terreno.
Para que serve, e o que não sustenta
Esta secção existia antes como uma pontuação (68/100 agregado, e uma nota por dimensão). Essas pontuações foram retiradas: eram um juízo sem método declarado, apresentado com a mesma autoridade visual dos benchmarks que esta página calcula ao vivo. Em vez de um número inventado, cada dimensão é aqui declarada pela evidência que existe — o que foi medido, como se reproduz, e a fronteira do que a medição autoriza afirmar. Onde não há medição, diz-se que não há.
Evidência por dimensão e fronteira de utilização.
| Dimensão | Evidência medida | Como reproduzir | Sustenta / não sustenta |
|---|---|---|---|
| Implementação do modelo | Desvio máximo 0,000 % face a uma reimplementação independente de Rothermel/Albini, em 108 combinações. | Recalculado ao vivo no topo desta página; dev/benchmark.html. |
Sustenta: as equações estão corretamente implementadas. Não sustenta: nada sobre o mundo real — é uma verificação de código contra matemática. |
| Resposta física | Desvio máximo 0,000 % na varredura de vento, declive e humidade em toda a gama operacional. | Recalculado ao vivo; dev/sensibilidade.html. |
Sustenta: monotonia e coerência física em toda a gama. Não sustenta: exatidão do valor absoluto num incêndio concreto. |
| Forma da mancha em incêndios reais | Jaccard mediano 38,4 % em 50 casos ICNF; 21,1 % nos 8 de validação forte, lidos em separado (16-08-2026, 50/50 sem falhas). | tools/backtest-perimetro.mjs (CLI) ou dev/backtest.html (interno, pasta protegida). |
Sustenta: direção e ordem de grandeza da progressão. Não sustenta: previsão do perímetro final — que é moldado por supressão, não simulada. |
| Chegada da frente no tempo (ETA) | Erro à escala de horas: erro absoluto mediano ~3,5 h e apenas 3,7 % dos locais dentro de 15 min (8 fogos, 272 píxeis comparáveis, deteções FIRMS/VIIRS, combustível estimado, 03-08-2026). | tools/backtest-eta-temporal.mjs; resultado bruto em dados/backtests/cli-results/. |
Sustenta: ordem de chegada entre pontos e planeamento pelo lado cedo da janela. Não sustenta: ETA ao minuto — e a própria verdade-terreno de satélite (píxel de 375 m a 3 km, revisita de dezenas de minutos) é um teto à precisão medível. |
| Resolução operacional vs. validada | Viés de discretização medido: +5 % de área a 25 m e +17 % a 50 m face a 12,5 m. Em tempos de chegada, a aplicação (12,5 m) dá o ETA ~9 % mais tarde que o motor calibrado (mediana de 23 casos; 38 % no pior). O back-test corre a ≥50 m; a aplicação opera a 12,5 m. | Três testes em dev/sanity-tests.mjs; tools/backtest-perimetro.mjs --cell-size; dados/backtests/vies-resolucao-vs-margem-eta.json. |
Sustenta: saber o sentido do desvio (ETA para tarde) e que a margem do lado cedo da janela o cobre em todos os casos medidos. Não sustenta: um fator de correção da física — corrigi-la obrigaria a re-medir os 50 casos do back-test para republicar todos os números. |
| Incêndio em curso (evento ativo) | Sem medição própria publicada. Herda as linhas acima e depende da qualidade do perímetro de satélite e das correções do operador. | — | Sustenta: leitura de tendência e limite plausível a partir de um estado observado. Não sustenta: despacho autónomo, combate dinâmico, reacendimentos ou decisões humanas — nada disso é simulado. |
Regra que esta página segue: um número só aparece se houver forma de o reproduzir. Quando a evidência não existe, o que se declara é a ausência dela — não uma estimativa de confiança.
Uso responsável
- Decidir com base no envelope de probabilidade, não na linha determinística única.
- Tratar o lado cedo do intervalo de ETA como o valor de planeamento — a frente tende a chegar antes do previsto.
- Validar o combustível, o relevo e o vento apresentados antes de usar o cenário para posicionar meios.
- Assimilar frente observada apenas quando existe confirmação operacional; registar sempre hora, fonte e confiança.
- Nunca posicionar meios acima do fogo numa encosta com vegetação de permeio, nem em cumeada sobre uma encosta a arder — sobretudo onde a aplicação assinala terreno propenso a comportamento eruptivo.
- Tratar os grandes eventos de vento extremo como limite inferior da progressão possível.
- Confirmar sempre com observação no terreno e com a cadeia de comando: a ferramenta apoia, não decide.
As estimativas são indicativas, para apoio e triagem técnica, planeamento e formação. Não são certificadas para despacho operacional real nem substituem a análise e a decisão das autoridades e responsáveis operacionais.
Referências
- Rothermel, R. C. (1972). A mathematical model for predicting fire spread in wildland fuels. USDA Forest Service, INT-115.
- Albini, F. A. (1976). Estimating wildfire behavior and effects. USDA Forest Service, INT-30.
- Anderson, H. E. (1983). Predicting wind-driven wildland fire size and shape. USDA Forest Service, INT-305.
- Fosberg, M. A., & Deeming, J. E. (1971). Derivation of the 1- and 10-hour timelag fuel moisture calculations. USDA Forest Service, RM-207.
- Byram, G. M. (1959). Combustion of forest fuels. In Forest Fire: Control and Use (pp. 61–89).
- Van Wagner, C. E. (1977). Conditions for the start and spread of crown fire. Canadian Journal of Forest Research, 7(1), 23–34.
- Albini, F. A. (1979). Spot fire distance from burning trees — a predictive model. USDA Forest Service, INT-56.
- Albini, F. A. (1983). Potential spotting distance from wind-driven surface fires. USDA Forest Service, INT-309. — base da cadeia produção→elevação→transporte→ignição usada na projeção de faúlhas.
- Wooster, M. J., et al. (2015). LSA SAF Meteosat SEVIRI Fire Radiative Power products. Atmospheric Chemistry and Physics, 15, 13217–13239.
- Viegas, D. X. Comportamento do Fogo e Segurança Pessoal. ADAI/CEIF, Universidade de Coimbra. — base do aviso de terreno propenso a comportamento eruptivo.
- Comissão de Inquérito (2006). Relatório do Inquérito Preliminar ao acidente ocorrido em 9 de Julho de 2006 no Incêndio Florestal de Famalicão da Serra, Guarda. SNBPC. — caso documentado de comportamento eruptivo em desfiladeiro, com cronologia de progressão e condições ambientais observadas.